Me alegrei muito com o resultado das eleições para o parlamento dinamarquês que deram vitória à coalizão de centro-esquerda, ocorridas duas semanas atrás. No dia seguinte às eleições, me peguei pensando sobre o motivo de tanta alegria e se realmente eu deveria esperar que a mudança de governo iria de alguma maneira melhorar minha vida aqui.
Concluí que eu, bem objetivamente, não tenho muito o que reclamar do governo dinamarquês nos últimos anos. Quando decidi fazer um mestrado, recebi apoio do estado, quando engravidei, recebi atendimento pré-natal e atendimento de primeira em hospital público e, quando fiquei doente, recebi tratamento gratuito de ótima qualidade. Minha filha sempre foi bem cuidada em instituições mantidas pelo estado e, até agora, estamos muito satisfeitos com a escola pública que ela está frequentando.
Eu poderia continuar enumerando uma lista enorme de motivos para não reclamar do governo que está saindo. Então, por que ficar feliz com a mudança?
A campanha do partido Os Radicais (De Radikale), que compõe o novo governo, resume bem o o motivo da minha alegria com o novo governo e as minhas expectativas. Um dos slogans da campanha deles dizia “Nós confiamos. Também confiamos nos estrangeiros.”
Vindo de uma profissional de comunicação, isso pode até parecer ingenuidade, mas o slogan me tocou. Nesses meus anos na Dinamarca, houve períodos em que me esquivei de assistir o noticiário de TV só para evitar ouvir comentários preconceituosos, alguns beirando o racismo, de políticos liberais e de direita contra imigrantes. Não foram poucas as vezes em que tais comentários desrespeitosos me enfureceram ou, pior ainda, me entristeceram. Sei que tais políticos vão continuar proclamando seus absurdos mas me alegra saber que eles não mandam mais no país e que mais da metade da população dinamarquesa não os quer mais no poder.
Espero que os partidos agora no poder cumpram suas promessas de campanha e tomem medidas para melhorar a vida dos estrangeiros, incluindo os refugiados, na Dinamarca, mas, no meu caso, a grande mudança que espero deste novo governo é muito simples. Na condição de estrangeira, espero ser tratada com dignidade e respeito pelos que estão no poder. Isso inclui não ser vista como um problema e não ser encarada com desconfiança só por ter vindo de outro país.


Carlos
04/10/2011
Também fiquei feliz.
Boa sorte para você e todos os estrangeiros. Boa sorte, também, para a população da Dinamarca com o novo governo.
Um fraterno abraço desde o Rio de Janeiro.
Margareth Marmori
05/10/2011
Agora vamos acompanhar de perto para ver se haverá mudanças concretas. Logo logo voltarei a escrever sobre o assunto. Abração
Adriana Miranda
08/10/2011
É realmente preocupante a discriminação contra imigrantes na Europa… tal discriminação ancora-se, entre outros, na crença de que uns (povos) são superiores a outros e isso resulta em ações como a ocorrida na Noruega há alguns meses atrás. O mundo tem mesmo que ficar atento para essas idéias e ações, pois o radicalismo de direita defensor do nazi facismo ainda existe largamente… Parabéns para a Dinamarca pela escolha feita! Boa sorte para você!
Margareth Marmori
18/10/2011
Oi Adriana,
Concordo com você: é preciso ficar atento para os sinais de extremismo que têm origem no preconceito e ignorância. Obrigada pelos bons votos. Um abraço, Margareth
Leonora Benvenuto
11/10/2011
oi Margareth! Aqui quem “fala” é uma brasileira que namorou um Norueguês, fiz até contrato de noiva!! Voce sabia que manifestei a vontade de participar e comprar uma roupa típica daquele País!!! Sabe o que a conteceu?? A minha “ex-futura sogra”falou que eu não poderia justamente por ser estrangeira….Que bom que não me tornei sogra de uma pessoa que tem valores tão pequenos a ponto de se incomodar de uma estrangeira poder colocar uma roupa típica do país…o que será que passa pela cabeça daquela senhora?? que uma estrangeira não seria digna??? Qualquer ser humano não seria digno para vestir e homenagear outro povo que não o seu com alguma roupa tíoica??? sinceramente….que besteira!!! Ainda bem que os governates estão mudando……a globalização não inclui reconhecer todos como iguais???!!!! Abraços!!! Leonora Benvenuto
Margareth Marmori
17/10/2011
Oi Leonora,
Infelizmente vejo por aqui exemplos de intolerância semelhantes ao que a sua ex-futura sogra deu. Creio que tais demonstrações são resultado de falta de conhecimento e também de medo do que é diferente e estranho. Muitas pessoas se sentem ameaçadas pelo que é diferente e acabam se manifestando de forma preconceituosa. É uma pena. Vamos torcer mesmo para que a globalização tenha o efeito positivo de ajudar as pessoas a se compreenderem e a se aceitarem mais.
Um abraço,
Margareth