Dias atrás, uma proposta da parlamentar Pernille Vigsø Bagge, do Partido Socialista do Povo, provocou uma pequena tempestade política na Dinamarca. Ela sugeriu que o nome do Ministério da Igreja fosse mudado para algo como Ministério das Religiões ou das Filosofias de Vida (Livsanskuelser, na minha tradução livre).
Segundo Bagge, o nome do ministério deveria levar em consideração dois fatores: o número crescente de muçulmanos no país, que hoje representam pouco mais de 4 por cento da população, e o fato de muitos dinamarqueses estarem se desligando da igreja estatal. Não só os partidos oposicionistas de centro-direita, como também o próprio partido socialista da parlamentar e os demais membros da coalizão à frente do atual governo dinamarquês atacaram ferozmente a proposta, que foi tratada como uma bobagem por vários políticos. Dois dias depois, a parlamentar voltou atrás, retirou a proposta e pediu desculpas pela ideia. “Fui muito burra e aprendi com isso” (minha tradução livre), disse.
Pelo que vi das reações que a ideia provocou, fui uma das poucas que achou a a proposta sensata. Não porque o nome signifique muita coisa, mas talvez porque sua mudança pudesse ser o começo da revisão do vínculo entre estado e igreja na Dinamarca. Mesmo depois de tantos anos aqui, ainda não me entra na cabeça que o estado tenha de se envolver nas crenças religiosas dos indivíduos.
O pedido de desculpas da parlamentar, no entanto, não foi suficiente para acabar com a polêmica. Numa enquete, o jornal Politiken pediu a seus leitores outras sugestões de nomes para o Ministério. Uma rápida olhada nas ideias dos leitores me revelou que há muitos dinamarqueses pensando como eu. Divirta-se com algumas delas:
- Igreja da superstição financiada pelo estado
- Ministério de explicações mágicas e sobrenaturais
- Ministério das autoridades inexistentes
- Departamento de amigos invisíveis
- Ministério de assuntos ocultos
- Ministério de gnomos e outras superstições
- Ministério das afirmações sem bases científicas


marilza
30/01/2012
kkkk, pois eu, já acho que deve continuar como Ministério da Igreja. Mudar o nome para Ministério das Religiões e/ou das Filosofias de Vida, daria o maior quiprocó, esse novo nome está sugerindo a liberdade de credos e filosofias, e só mesmo num país democrático como o Brasil isso seria possível, rs. Aqui mesmo no meu bairro, existe uma pacífica convivência entre macumbeiros e católicos, pois a Igreja Católica é vizinha do Centro Pai Joaquim. Nunca soube de nenhum conflito entre os religiosos. Então é isso – paz é o que importa, independente dos deuses, dos credos e das filosofias. Mas essas sugestões estão engraçadíssimas. Gostei daquela: “Ministério das Autoridades Inexistentes” kkkkkk.
um abraço
Margareth Marmori
06/02/2012
Obrigada pelo seu comentário, Marilza. Curioso que você escreva isso porque embora haja muito debate na sociedade dinamarquesa, ao mesmo tempo me parece que existe um temor ou até mesmo preguiça de se aprofundar a discussão sobre algumas tradições arraigadas que talvez não tenham mais sentido. Um abraço
Carlos
04/02/2012
Concordo com vc Margareth, talvez fosse o primeiro passo para um estado laico, mas infelizmente ainda não foi desta vez. Mas o fato de existirem tantos dinamarqueses, segundo mostra a enquete do Politiken, com o mesmo pensamento acho que o primeiro passo já foi dado. Se a voz do povo é a voz de Deus, como se diz aqui no Brasil, no futuro, talvez esta idéia seja, na realidade, o segundo passo…
Quase sempre queremos que as mudanças sejam rápidas, mas normalmente quando estas ocorrem de forma gradual costumam ser mais duradouras… a nossa inflação que o diga!
Um abraço desde o Rio de Janeiro até a bela Copenhagen.
Margareth Marmori
13/02/2012
Você deve ter razão, Carlos. É preciso paciência, especialmente na Dinamarca, onde, para meu desespero, as coisas acontecem num bem ritmo lento e as pessoas se apegam a tradições anacrônicas. Um abraço da gélida Copenhague.