Igreja estatal

Publicado em 30/01/2012

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English: The danish church, Nødebo Kirke Dansk...

Igreja de Lyngby, ao norte de Copenhague.

Dias atrás, uma proposta da parlamentar Pernille Vigsø Bagge, do Partido Socialista do Povo, provocou uma pequena tempestade política na Dinamarca. Ela sugeriu que o nome do Ministério da Igreja fosse mudado para algo como Ministério das Religiões ou das Filosofias de Vida (Livsanskuelser, na minha tradução livre).

A Dinamarca possui um ministério da igreja, responsável pela administração da igreja do povo, de linha luterana, à qual pertence a maior parte da população do país. O estado cobra de cada adepto um imposto no valor de cerca de 700 reais por ano, o que cobre 75 por cento das despesas totais da igreja, segundo o próprio ministério. Os outros 25 por cento são pagos com recursos tirados do orçamento federal. O pagamento do imposto é voluntário, felizmente, mas não deixa de me parecer estranho que um país como a Dinamarca ainda mantenha esse tipo de vínculo entre estado e igreja.

 Segundo Bagge, o nome do ministério deveria levar em consideração dois fatores: o número crescente de muçulmanos no país, que hoje representam pouco mais de 4 por cento da população, e o fato de muitos dinamarqueses estarem se desligando da igreja estatal. Não só os partidos oposicionistas de centro-direita, como também o próprio partido socialista da parlamentar e os demais membros da coalizão à frente do atual governo dinamarquês atacaram ferozmente a proposta, que foi tratada como uma bobagem por vários políticos. Dois dias depois, a parlamentar voltou atrás, retirou a proposta e pediu desculpas pela ideia. “Fui muito burra e aprendi com isso” (minha tradução livre), disse.

Pelo que vi das reações que a ideia provocou, fui uma das poucas que achou a a proposta sensata. Não porque o nome signifique muita coisa, mas talvez porque sua mudança pudesse ser o começo da revisão do vínculo entre estado e igreja na Dinamarca. Mesmo depois de tantos anos aqui, ainda não me entra na cabeça que o estado tenha de se envolver nas crenças religiosas dos indivíduos.

O pedido de desculpas da parlamentar, no entanto, não foi suficiente para acabar com a polêmica. Numa enquete, o jornal Politiken pediu a seus leitores outras sugestões de nomes para o Ministério. Uma rápida olhada nas ideias dos leitores me revelou que há muitos dinamarqueses pensando como eu. Divirta-se com algumas delas:

  • Igreja da superstição financiada pelo estado
  • Ministério de explicações mágicas e sobrenaturais
  • Ministério das autoridades inexistentes
  • Departamento de amigos invisíveis
  •  Ministério de assuntos ocultos
  •  Ministério de gnomos e outras superstições
  •  Ministério das afirmações sem bases científicas
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Publicado em: Cultura, Dinamarca