A fraca adesão ministerial à religião oficial reflete o distanciamento crescente entre a instituição e a população dinamarquesa. Em todo o país, a Igreja do Povo possui 2.354 templos mas muitos deles são pouquíssimo frequentados.
Por conta disso, o governo discute a possibilidade de fechar várias paróquias, seguindo tendência já observada em outros países europeus como Alemanha e Inglaterra. No último fim de semana, o chefe da Comissão de Orçamento da Diocese de Copenhague, Torben Larsen, sugeriu que 35 das 70 igrejas da capital do país, onde a Igreja Dinamarquesa do Povo tem 350.000 membros, deixem de funcionar. Segundo ele, não há dinheiro para manter tantas igrejas e seria melhor concentrar esforços e recursos em poucas mas mais organizadas paróquias.
Os dinamarqueses mantém uma relação ambivalente com a Igreja oficial. Em 1849, 99 por cento da população do país fazia parte da instituição. Desde então, o número de adeptos caiu para 80 por cento e nove igrejas foram fechadas.
Apesar do número de membros continuar alto, para a maioria dos dinamarqueses a igreja é apenas o local aonde ir para a missa de Natal e, ocasionalmente, para eventos como casamentos, batismos e funerais. No resto do tempo, os adeptos deixam boa parte dos templos luteranos entregues às moscas. No inverno, nem às moscas, que não resistem às temperaturas negativas.
Em Copenhague e outras partes do país, os edifícios das igrejas fechadas passariam a ser usadas para outros fins, o que também já está causando uma pequena discussão. Alguns sacerdotes se assustam com a possibilidade de ver as instalações das antigas igrejas luteranas usadas como supermercados, bares ou discotecas. Eles prefeririam vê-las transferidas para outras organizações cristãs ou para usos considerados mais nobres como exposições de arte, concertos ou creches.
A Diocese da bela Ilha de Laesoe, no norte da Dinamarca, deu um exemplo que em breve poderá ser seguido em outras partes do país. Há quatro anos fechou uma de suas paróquias, a da Igreja do Porto de Vesteroe, que foi transformada num centro de bem estar, onde moradores e turistas podem relaxar em piscinas e saunas e receber massagem e tratamentos de pele.



Ark Doken
09/02/2012
É curiosíssimo. Um país supercivilizado, moderno, uma população culta e o paradoxo: religião oficial, mantida pelo estado. Só pode ser pelo hábito e pelo conformismo, garanto que poucos dinamarqueses ainda acreditam em Deus.
Margareth Marmori
13/02/2012
Obrigada pelo comentário, Ark. Acho que você tem razão. Em resposta à minha crítica sobre o anacronismo de uma igreja mantida pelo aparato estatal, já ouvi de pessoas que respeito muito o argumento de que mudar isso daria muito trabalho, entre outros motivos porque é a igreja luterana que emite registros de nascimento, inclusive dos filhos de ateus e adeptos de todas as outras religiões.
Carlos
23/02/2012
Quem sabe este já não é um 2º passo…?? Mesmo não sendo um estudioso do assunto, acho que o fato do país ser uma monarquia deva ser mais um complicador na direção do estado laico, mas mesmo de tão longe estou na torcida…
Um fraterno abraço desde o Rio de Janeiro.
Margareth Marmori
05/03/2012
Espero que você esteja certo, Carlos. Abração, Margareth