Ando meio desleixada

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Hoje acordei assim meio desleixada, com vontade de ter direito a ficar bem feia. Aproveitei que meu irmão dormiu até tarde e que o Hennrik e a Gabi já tinham saído para vestir uma camiseta amarela de regata e a bermuda mais feia e velha que tenho, uma daquelas que é o resto de uma calça pré-histórica de moletom. Expus a careca, assumi meus cílios ralos e minha sombrancelhas que agora fazem mesmo jus ao nome: se parecem com sombras do que já foram.

Nem perdi tempo me olhando no espelho. Sei que estou horrorosa. Mas é tão bom ter direito a ser feia. Na verdade, acho que é o que todos esperam de uma pessoa doente de câncer e passando por um tratamento quimioterápico: feiúra. Com a ajuda de maquiagem e uns panos bonitos que se vendem por aqui, acho que consegui não ficar horrorosa, em público. Mas aqui, entre as paredes de casa, nesta manhã nem liguei.

Aliás, essa obrigação de se estar sempre bonitinha, pintadinha, depiladinha, penteadinha e tudo mais inha é um saco. Há mulheres que dizem que é por causa da cultura machista que nos obriga, pobres mulheres, a seguir padrões inatingíveis de beleza. Pode até ser que a cultura machista não ajude, mas somos nós mesmas as grandes culpadas desse circo.

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