Pouco mais de um ano depois

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Se passou um pouco mais de um ano depois da operação que me deixou, costumo dizer brincando, mais despeitada do que sempre fui.

No ano passado, antes de toda essa maratona de tratamento, as enfermeiras me disseram que, para evitar que eu ficasse atordoada e confusa com um bombardeio de informações, depois de cada fase do tratamento que eu terminasse, elas iriam me dar detalhes da fase seguinte.

Bem mais tarde é que percebi que isso não passava de uma estratégias que médicos e enfermeiras usam para conseguir levar os pacientes até o final do tratamento. Eles não mentem, mas também não contam a verdade de uma só vez.

Foi assim antes de ser operada. Me falaram que eu perderia um seio, me prepararam para as dificuldades do período pós-operatório e do treinamento ao qual teria de me submeter para recuperar o movimento do braço e ombro esquerdos. Me avisaram que eu teria de passar pela quimioterapia e radioterapia, mas não entraram muito em detalhes.

Semanas depois da operação começaram a me encher de informações sobre a lista quilométrica dos efeitos colaterais da quimioterapia. Depois da quimioterapia, quando achei que o que faltava do tratamento era fichinha, me prepararam para a radioterapia que, no final das contas, não achei assim tão fácil como eu havia previsto.

Um ano atrás, eu sabia que iria passar por alguns dos meses mais difíceis da minha vida. Mas não imaginei que seriam tão difíceis.

Um ano atrás, eu me achava mais forte e resistente do que acabei descobrindo que eu era.

Mas esse ano não foi só de dor e mal estar.

Um ano atrás eu não sabia que tinha tantos amigos. Não sabia que havia tanta gente que se importava e se preocupava comigo.

Eu achava que minha família sempre estaria comigo para o que desse e viesse. Mas esse ano me trouxe a certeza de que eles sacrificariam o que fosse necessário para estar ao meu lado.

Pouco mais de um ano atrás eu talvez me sentisse mais solitária e menos amada.

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3 comentários Adicione o seu

  1. Anonymous disse:

    Gosto de ler as vezes seu blog, para saber de você, mesmo se eu estou chegando tarde em casa sem tempo para ligar nem skypear.É bom descobrir as coisas boas dos momentos difíceis, pelo menos a gente extrae alguma leçao.Claro que você é amada! Em espanhol se fala: “uno recoge lo que siembra” e é claro que se a gente da amor, recebe amor.Espero partilhar muitas alegrias com você no futuro: tantas como temos partilhado no passado.Para quando essa visita dos Jorgensen Skovgaard – Marmori a Madri?

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  2. E pode contar mesmo!!!!!!!!!!!!!!! E sempre, simplesmente porque te amamos muuuuuuuuuuuito!Beijos Mil

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  3. Anonymous disse:

    Magret, você não recebeu minha mensagem enviada no mês passado? seu e-mail mudou? o meu continua o mesmo. dê notícias por ele, nem que seja só uma frase de alô. beijos da Mônica Carvalho

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