Ajuda natalina

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Então é Natal na Dinamarca. O país coberto de neve cria o que os dinamarqueses chamam de ”natal branco”, motivo de alegria para as crianças e adultos e transtorno para quem precisa ir de um lugar a outro. Olhando a pequena montanha de brinquedos que todos os anos cobre o piso embaixo e ao redor da árvore de natal da casa dos meus sogros, penso no número crescente de famílias dinamarquesas que têm pouco para e com o que comemorar neste Natal.

Segundo uma matéria de um jornal dinamarquês, a cada ano é maior o número de famílias que se candidatam a receber a chamada ”ajuda de natal” oferecida por instituições de caridade. Dez anos atrás, apenas 1060 famílias solicitaram a ajuda ao Exército da Salvação. Este ano, foram 9466 famílias. Uma outra organização, a ASF Dansk Folkehjælpe, recebeu dois anos atrás 2200 pedidos. Este ano foram 4500. A grande maioria dessas famílias tem orçamento apertado e no Natal precisam escolher entre encher a geladeira com comida para a ceia ou comprar presentes. Para evitar crianças decepcionadas, recorrem às instituições de caridade.

Se no Brasil, a desigualdade social aviltante sempre dá um tom triste ao Natal, aqui na Dinamarca, a pobreza é um problema mais sutil que se acentuou com a política liberal do governo atual. Claro que pobreza é um conceito relativo num país como a Dinamarca, onde o padrão de vida é bem mais alto que na maioria dos outros países, e especialistas, governo, sociedade civil e organizações internacionais não conseguem chegar a um acordo sobre como defini-la. Uma das definições mais aceitas é a da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD, em inglês) segundo a qual pobres são aqueles com renda abaixo de metade da renda média do país.

A renda média media anual da Dinamarca é de 160 mil coroas dinamarquesas, o que coloca todos os que têm uma renda inferior a 96 mil coroas (equivalente a 32 mil reais) abaixo da linha de pobreza. Há estudos indicando que há cerca de 170 mil pessoas, incluindo aproximadamente 50 mil crianças, vivendo abaixo da linha de pobreza na Dinamarca.

A pobreza que se vê na Dinamarca é um luxo se comparada ao que chamamos pobreza no Brasil. Mas é inegável que a tendência observada aqui não é algo do que os dinamarqueses possam se orgulhar.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Oi Ilaine,É não só lamentável mas também uma vergonha que a pobreza ainda atinja tantas crianças brasileiras, de onde voltei no sábado. Mas a impressão que trouxe de lá é que a pobreza no Brasil está deixando de ser uma pobreza de comida. Pelo que vi, a fome se tornou menos grave e a grande maioria das pessoas tem algo para comer todos os dias. A meu ver, a grande pobreza no Brasil é a falta de oportunidades que atinge principalmente as crianças e adolescentes. Falta de boas escolas, bibliotecas, acesso a computadores, atividades culturais e lazer saudável, mau ambiente familiar, péssimo transporte público são alguns dos problemas que, na minha opinião, dão às crianças e adolescentes pobres muito menos oportunidades do que as crianças da classe média do Brasil.

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  2. Ilaine disse:

    E isto está acontecendo também em outros países da EU e em proporções ainda maiores. A Dinamarca, segundo estudos, possui um dos menores índices de pobreza infantil do mundo.Voltei do Brasil no sábado e ainda carrego comigo as imagens dos meninos pobres a pedir comida. Na praia guardava todos os dias algo para os pequeninos… Vinham buscar, já com os olhos brilhando. Abraço

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