Ensaio clínico

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O lançamento da campanha Mundo Sem Tortura (www.worldwithouttorture.org) não foi a única coisa que me manteve ocupada nas últimas semanas. Dias atrás estive novamente no hospital onde recebi tratamento contra o câncer de mama para um exame de rotina e a médica que me atendeu me deu uma informação que me deixou com uma pulga atrás da orelha.

Depois de terminada minha quimioterapia, recebi por um ano o medicamento trastuzumabe (nome comercial: Herceptin, uma droga que havia apresentado resultados muito bons no tratamento do meu tipo de câncer, o HER2 positivo. O trastuzumabe foi usado para inibir a expressão da proteína HER-2, que aumenta a possibilidade de recorrência do câncer e acelera a multiplicação das células cancerosas.

O trastuzumabe começou a ser usado há menos de 10 anos e só agora está se vendo os resultados a longo prazo do tratamento com a droga. Segundo a médica, infelizmente está se observando que, anos depois do tratamento terminado, o câncer volta a atacar muitas das mulheres que foram tratadas com trastuzumabe. Perguntei o que ela queria dizer com “muitas”, mas a resposta foi evasiva. “Mais do que gostaríamos de ver”, foi a resposta.

Perguntei também quais as minhas chances de que o câncer volte daqui a 5, 10 anos, mas ela novamente evitou uma resposta muito clara. Disse que era muito difícil fazer uma avaliação mais precisa porque há inúmeros fatores envolvidos, como idade, reação ao tratamento, tamanho do tumor etc e tal. Na consulta, a médica me ofereceu a oportunidade de participar do ensaio clínico de uma droga nova, a neratinib, inibidora da HER-2.

Saí de lá desanimada, com todas aquelas nuvens sombrias e eu havia esquecido havia algum tempo me perseguindo novamente, mas quase decidida a aceitar participar do ensaio. Só faltava eu conversar com meu marido. Achava que ele deveria ser informado da minha decisão, já que os efeitos colaterais do remédio poderão afetar um pouco nossa rotina.

No dia seguinte à consulta comuniquei a equipe do hospital que aceitava entrar no estudo. Na minha decisão pesou muito a lembrança dos dias de quimioterapia. Dias como aqueles quero tentar evitar.

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