Salada de mato

Stinging nettle
A urtiga  tem gosto parecido com o do alho (foto via Wikipedia).

De volta à Dinamarca, depois de três semanas no Brasil, me surpreendi com a temperaturas baixas – abaixo de 10 graus centígrados, da primavera deste ano. Para não prejudicar a posição da Dinamarca como país mais feliz do mundo no Relatório sobre a Felicidade das Nações Unidas, decidi me alegrar com as temperaturas baixas. Afinal, elas retardaram a volta do verde à paisagem de Copenhague assim cheguei a tempo de assistir ao desabrochar das tulipas e o enverdecer das macieiras e me aventurar por uma pequena experiência gastronômica.

Abril, quando a vegetação está rebrotando, é o melhor mês para sair pelas áreas verdes da Dinamarca atrás das folhas novas de ervas consideradas daninhas usadas em pratos da nova cozinha nórdica. Na lista das ervas daninhas promovidas ao posto de ingredientes culinários estão o dente-de-leão (Taraxacum officinale) – um tipo de urtiga que em dinamarquês é chamada brændenælde (Urtica dioica) e a erva-alheira (Alliaria petiolata), pertence à família da mostarda. Menos conhecidas por nós brasileiros é o skvalderkål (Aegopodium podagraria), considerado uma praga nos jardins dinamarqueses, mas que agora volta a ser apreciado em saladas e sopas. Nem mesmo as flores e folhas da mini margarida (Bellis perennis), em inglês daisy, são poupadas e aparecem na receita de uma salada descrita no livro Almanak, do cozinheiro dinamarquês Claus Meyer.

A single flower of Bellis perennis (Common Dai...
A margaridinha vai bem em saladas  (foto via Wikipedia)

Apesar de desprezadas por muitos, todas essas ervas têm alto valor nutritivo. O site da Farmácia Homeopática Dias da Cruz  cita uma lista enorme de nutrientes do dente-de-leão, que também tem diversas propriedades medicinais. O skvalderkål é rico em vitaminas B e C e pode ser usado como substituto para o espinafre, de acordo com o site dinamarquês Naturli.

Para quem não se dispõe a colher as ervas, a rede dinamarquesa de supermercados Irma acabou de iniciar a venda da urtiga brændenælde e do skvaldekål como parte de sua linha de produtos orgânicos. Portanto, se minha ideia talvez romântica demais de sair pelos campos à procura de ervas silvestres for mais cansativa do que o esperado, já sei que poderei buscar salvação nas prateleiras de um supermercado.

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4 comentários Adicione o seu

  1. Celia disse:

    Fiquei fantasiando seu passeio por matas sombreadas, um sol tímido e uma cestinha de vime cheia de flores coloridas em meio aos odores frescos do ar frio.
    A parte comestível ficou de fora!!!
    obs: grata por sua oferta de ajuda, caso eu seja aceita no curso. Vou precisar. Bjss

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    1. Que bela imagem, Celia. Mas tente incluir a parte comestível. No último final de semana experimentei um creme de urtiga (brændenælde) e fiquei agradavelmente surpresa com o gosto suave. Me lembrou espinafre. Vale a pena tentar. Bjs, Margareth

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  2. marilza disse:

    Interessante! Se virar moda vai ficar caro nas prateleiras dos supermercados, senão, é só ir ao mato colher flores e folhas para a salada.
    Um abraço

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    1. Talvez até devêssemos pensar nisso como uma alternativa. Estaríamos ganhando nutrientes de uma fonte barata de alimentos. Abraços

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