Imigrantes na Dinamarca: debate esfria mas aparece novo bode expiatório

Primavera de 2012, Dinamarca.Apesar de fria, a primavera de 2012 trouxe boas notícias para os imigrantes e minorias religiosas na Dinamarca. O governo de centro esquerda liderado pela primeira ministra Helle Thorning-Schmidt anunciou há alguns dias que pretende relaxar a exigência do conhecimento da língua dinamarquesa para quem solicitar a cidadania ou visto de residência permanente no país.

Depois que as novas regras forem aprovadas pelo parlamento, a exigência para o visto de residência permanente cairá para o Prøve i Dansk 1 (Exame de dinamarquês 1), que testa conhecimentos básicos da língua. Para o pedido de obtenção da cidadania, o exame exigido será o Prøve i Dansk 2, que é um teste de dinamarquês com grau de dificuldade equivalente ao exigido a estudantes que concluíram o segundo grau na Dinamarca. Atualmente, para solicitar um pedido de residência, o imigrante precisa comprovar ter sido aprovado no Prøve i Dansk 2 e, no caso da cidadania, o teste exigido é o Prøve i Dansk 3, que corresponde ao grau de conhecimento da língua que se espera de um estudante universitário.

Uma notícia publicada no último sábado (12 de maio) na primeira página do Jyllands-Posten, um dos maiores jornais dinamarqueses, foi mais uma evidência de que o modo da sociedade dinamarquesa lidar com questões relacionadas aos imigrantes está mudando. A matéria chamou atenção para o esfriamento do debate sobre imigrantes muçulmanos no país. O jornal contou a frequência com que 12 palavras relacionadas a imigrantes foram usadas em textos dos maiores jornais do país de 2001 a 2011 e verificou uma queda significativa no emprego de termos relacionados aos muçulmanos. A palavra “fundamentalista”, por exemplo, foi usada 70 por cento menos em 2011 do que em 2001, enquanto a frequência do uso de “muçulmano” foi 38% menor.

Políticos e observadores apontam vários motivos para a tendência. A discussão sobre imigrantes na Dinamarca, que atingiu o ápice em 2006 e muitas vezes beirou o racismo, teria se tornado menos radical. A inserção de muçulmanos no mercado de trabalho e na vida política do país teria mostrado aos dinamarqueses em geral que a maioria nesse grupo de imigrantes não é de fanáticos religiosos. Além disso, a crise econômica, que se tornou uma preocupação muito mais premente e atinge a todos, independente da crença ou cor da pele, passou a ocupar parte do espaço que antes era reservado à discussão sobre os os muçulmanos.

Mas a pesquisa do Jyllands-Posten infelizmente apontou uma outra tendência. Nos últimos anos aumentou significativamente a ocorrência do termo østeuropæer(e) (originários do leste europeu) na mídia. O uso crescente do termo também está ligado à crise econômica e vem geralmente associado à ameaça que a mão de obra polonesa representaria aos trabalhadores na Dinamarca.

Na mesma reportagem, o jornal informa que o grupo jovem do partido de extrema direita Dansk Folkeparti (DF, o Partido do Povo Dinamarquês), tristemente conhecido por sua propaganda agressiva contra os muçulmanos, já escolheu trabalhadores poloneses como o alvo de uma campanha a ser lançada até o fim do ano.

A nova campanha do Dansk Folkeparti é um sinal de que a necessidade de alguns setores da sociedade de apontar um bode expiatório para os problemas do país não diminuiu. A novidade é que os escolhidos para o papel de bode parecem estar mudando.

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4 comentários Adicione o seu

  1. É mesmo uma lástima, Célia. Mas não se preocupe tanto. Aquela história do “jeitinho” vale muito quando estamos num país estranho. Sempre conseguimos uma maneira de nos fazer entender. Tenho certeza de que você vai se sair bem.

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  2. Celia disse:

    Depois do frio, creio que o idioma é o mais desanimador para um brasileiro que, porventura, pensasse em imigrar para a Dinamarca. Não conheço um único brasileiro que desejasse isso. Aliás, se eu realmente for para o curso em agosto (ainda sem resposta da universidade), o que mais me assusta é ter que “me entender” com o aeroporto de Frankfurt e com o idioma dinamarquês. Já passei dois maus momentos na Alemanha, e falo inglês e espanhol, além de me virar no francês. Conto com a simpatia e paciência do povo dinamarquês!!! Quanto às dificuldades em conviver com as diferenças étnicas e culturais, penso que é um problema mundial sempre agravado pelas circunstâncias locais. Em 2001 tivemos os USA propagando ao mundo os horrores da cultura muçulmana. Após esta data, ficou muito difícil para brasileiros obter visto para os USA e, até hoje, irmos para o Canadá requer uma documentação absurda. Como os brasileiros foram os que mais gastaram $$$ nos USA no ano passado, a concessão de vistos este ano está facílima. Enfim, acho que a cobiça, não os direitos humanos, ainda vence a paranoia. Uma lástima.

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  3. It’s always easier to blame someone else for your problems, although this does not make it easier to find a solution.

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  4. At least this is a step in the right direction for those seeking Danish citizenship! Not surprised, though, about the Dansk Folkeparti scapegoating Eastern Europeans

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