Até que a morte os separe

English: Bridal bouquet by Madelenes Grönska S...
Bouquet criado por  Madelenes Grönska (Foto via Wikipedia)

O Parlamento da Dinamarca aprovou na semana passada lei que dá aos homossexuais o direito de se casarem na igreja oficial do país. Embora o resultado da votação já fosse esperado e aconteceu com o apoio da maior parte da população dinamarquesa, o casamento religioso entre homossexuais é sem dúvida um grande avanço até mesmo para a Dinamarca, onde até 1973 era proibido dançar com uma pessoa do mesmo sexo, (Politiken, 8/06/2012, caderno 1, p. 4)

O que surpreendeu na discussão sobre o tema foi o tom azedo e deselegante do debate antes da votação no Parlamento. Os partidos de centro-direita Venstre e Konservative apoiaram a proposta lançada pelo governo liderado pelos social-democratas, mas autorizaram seus membros a votar contra a mudança se achassem que ela era contrária a seus princípios religiosos. Da tribuna do plenário Alex Ahrendtsen, do partido mais à direita no parlamento, o Dansk Folkeparti (DF, o Partido do Povo Dinamarquês), chamou os membros do Venstre e Konservative favoráveis à proposta de “liberais fumadores de maconha”. Entre os políticos dinamarqueses o comentário foi considerado extremamente ofensivo e, por causa da indelicadeza, Ahrendtsen foi repreendido por um dos líderes de seu próprio partido.

A deselegância também partiu da esquerda. A parlamentar Özlem Cekic, integrante do governista Partido Socialista do Povo (SF), usou a tribuna para comparar o discurso contra o casamento entre homossexuais do membro do DF, Christian Langballe, ao proferido por líderes muçulmanos ortodoxos de países como a Arábia Saudita. “Eu nunca, jamais, falei pela discriminação dos homossexuais” (minha tradução livre), protestou Langballe em tom ofendido. E aí foi a vez da liderança do SF repreender a comparação infeliz de Cekic.

Apesar do tom acalorado do debate no Parlamento, a nova lei deverá ser colocada em prática mais rapidamente do que se esperava. Hoje, sete dos dez bispos da Igreja Dinamarquesa do Povo (minha tradução para Danske Folkekirke, de linha luterana) entregaram ao Ministro da Igreja e Igualdade de Direitos, os procedimentos para as novas cerimônias de casamento, que agora devem levar em consideração que o matrimônio também pode ser realizado entre duas pessoas do mesmo sexo.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Acho estranho, mas…

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