“Borboleta na barriga”

Butterfly
Com uma dessas na barriga (Crédito: fox_kiyo)

O anúncio do meu retorno ao Brasil deixou alguns dos meus parentes preocupados. Para eles, depois de viver 14 anos num dos países colocados no topo dos rankings de desenvolvimento, me readaptar à terrinha pode ser uma tarefa dolorosa. Me falaram de reportagens sobre brasileiros atingidos por crises de depressão causadas pelo encontro com a realidade de viver no Brasil depois de anos no exterior.

Dias atrás minha filha disse que, diante da perspectiva de viver dois anos no Brasil, sentia “borboleta na barriga”, uma ótima expressão dinamarquesa equivalente ao nosso “frio na barriga”. Tentei acalmá-la mas não posso negar que a readaptação ao meu próprio país é algo que me dá um pouquinho de “borboleta na barriga”, principalmente porque a cidade onde iremos morar, Campos dos Goytacazes, é completamente desconhecida para mim. Felizmente, a borboleta na minha barriga é bem pequenina. Morar na Dinamarca, considerada por muitos um paraíso na Terra, me ensinou a ter menos expectativas sobre o futuro, sejam elas exageradamente otimistas ou pessimistas. Não que eu tenha me tornado inimiga do planejamento, da definição de metas, da procura da realizacão de sonhos e coisas do gênero. Muito pelo contrário. Mas aprendi que um sonho realizado muitas vezes pode, inesperadamente, se tornar um pesadelo que nos dá um tombo de decepções.

Estou tentando aprender a continuar trabalhando pela realização de sonhos e pela conquista das metas mas, ao mesmo tempo, a não levar tais sonhos e metas a sério demais. Aprendi que para manter a sanidade e a felicidade, preciso de saídas de escape no caso do sonho se mostrar irrealizável ou, se alcançado, decepcionante. Estou também tentando finalmente aprender a saborear o que há de bom agora. Junte a isso minha curiosidade e teimosia e os próximos dois anos prometem grandes descobertas.

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5 comentários Adicione o seu

  1. O que, a mim, chamou mais atenção foi a questão dos sonhos. Por ter me esbarrado com as desditas da vida muito novo mesmo, nunca fui de sonhar. Sempre pensei no essencial: trabalhar para sobreviver, encontrar uma pessoa que desse bem comigo, descansar, comer e dormir. A única coisa de diferente foram os livros – romances principalmente – que costumei, ainda que tardiamente, a ler. Depois, aventurei-me pela poesia e sempre naquela “mal tenho o segundo grau, as dificuldades para saber se estou virgulando corretamente, coisas, digamos, banais em relação à língua”, até que resolvi escrever pra valer, fiquei conhecendo um monte de gente ligada à literatura… Mas, voltando à questão do sonho propriamente, ultimamente tenho vivido um sonho impossível e como nunca fui de sonhos, estou nele mergulhado de forma bem diversa à sua, ou seja, dando-lhes asas para sonharem à vontade. Isso está acabando um pouco com meu estilo meio que seco. Vamos ver… Agora, eu quero mais é ler as suas experiências. Gostando e aprendendo… muito! Abraços!

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  2. Inés disse:

    Prometem mesmo! Senti alguma coisa parescida quando voltei da Bélgica para Espanha faz jà mais de 15 anos. E a descoberta do meu pais com olhos, metade estrangeiros, metade espanhóis foi simplesmente maravilhosa. Era capaz de conhecer as “chaves” e, ao mesmo tempo, me deixar surpreender. Valoriza a parte superficial (que precebem os “alheios”) e a profunda (dos nacionáis). E adorei!
    Eu não tenho dúvidas nenhumas de onde está o paraíso…. ou o que mais se aproxima dele
    Siga contando coisas!

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    1. Seguirei, sem dúvida alguma!

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      1. Uma leitora paulista me alertou pelo Facebook que em São Paulo existe a expressão “borboleta no estômago”. Já incorporei ao meu vocabulário de brasiliense.

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      2. Inés disse:

        A expressão existe em espanhol (“mariposas en el estómago”). É linda!

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