Um amor de cordialidade

Praça São Salvador, Campos dos Goytacazes
Pelas ruas e praças de Campos.

“Mãe, a moça te chamou de querida”, observou minha filha de seis anos depois de ouvir como a vendedora de uma farmácia havia se dirigido a mim para explicar que o estabecimento não tinha o produto que eu estava procurando.

No dia seguinte, outra razão de estranhamento: “Mãe, ela te chamou de amor!”, ela reagiu assombrada ao termo usado por uma faxineira do hotel para me cumprimentar. “Ela é seu amor?”, tentou entender, como se o uso da palavra “amor” fosse exclusividade da nossa família.

Através de reações de estranhamento de minha filha, vou me reacostumando a algumas das diferenças culturais que fazem os brasileiros tão diferentes dos dinamarqueses. Nas duas situações, tentei explicar que “amor” e “querida” eram formas mais gentis de tratar as pessoas e que não significavam que a vendedora nem a faxineira me amassem.

Enquanto minha filha aprende, eu reaprendo a viver com a cordialidade do brasileiro. Também estou redescobrindo o prazer de conversar com estranhos. Um dia desses uma senhora, meio encabuladamente, me parou na rua, se desculpou por falar comigo sem me conhecer e me perguntou aonde eu havia comprado as sandálias que eu estava calçando. “São uma gracinha e parecem tão confortáveis”, explicou o interesse. Confirmei que as sandálias eram mesmo confortáveis, mas que infelizmente eu as havia comprado fora do país. Ela pareceu decepcionada e eu fiquei até com dó. Ela foi tão simpática e doce que quase me ofereci para pegar comprar um par igual para ela na próxima vez que for à Dinamarca. Mas quando pensei nessa possibilidade, ela já havia se despedido apressada e sumido na calçada movimentada do centro de Campos.

Leia também um outro post relacionado a este:  Pequenas gentilezas 

 

 

 

 

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4 comentários Adicione o seu

  1. Depois de postar o meu comentário, li o comentário do Roberto e tal, depois o seu, aí me lembrei que havia lido ou visto na TV que a cidade mais fria do mundo é uma que fica na Rússia, não o nome.

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  2. Enquanto você descrevia a situação de pensar que amabilidade é diferente de amor, assim como respeitabilidade não tem nada a ver com respeito… Mas, estou gostando… Vamos ao próximo….

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  3. Ei, eu visito aqui e presto atenção nas coisas brilhantes que você escreve, viu?
    Você poderia ser professora de ‘redação com sensibilidade’ pra muita gente por aí, sabia?
    Verdade.
    “Ela foi tão simpática e doce que quase me ofereci para” o que mesmo?
    Outra coisa pra fechar: to precisando das temperaturas mais frias e das mais altas lá de Copenhague. Você envia pra mim, por gentileza, quando você se lembrar e puder?
    É pra um pensamento que estou desenvolvendo a respeito de temperatura, e quero citar um lugar onde haja bastante frio e bastante pessoas nele.
    Aí, lembrei-me de lá e lembrei-me de que você esteve por lá batendo os dentes e aproveitando também algumas longas e boas frestas do sol.
    Não é a mesma coisa buscar informação internet adentro porque não quero cair em furada.
    E também não há gradações antigas.
    Curioso: se digito “Copenhague frio”, sem aspas, no Google, ou aparecem sites sobre política ou sobre comida. Ué! rss
    Fico aguardando qualquer resposta.
    Um abraço e mais um lembrete de ‘parabéns’ sempiterno pra você e seu blog.
    Ricardo.

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    1. Obrigada pelos seus comentários, Ricardo.
      Quanto às temperaturas máximas e mínimas de Copenhague, a melhor fonte é a página do serviço de meteorologia da Dinamarca (www.dmi.dk), que tem algumas informações em inglês. Neste link: http://www.dmi.dk/dmi/index/danmark/meteorologiske_ekstremer_i_danmark.htm#Meteorologiske_ekstremer_i_DK-temp. descobri que a temperatura mais baixa jamais registrada na Dinamarca, em janeiro de 2005, foi de -31,2 oC. A temperatura mais alta jamais registrada, em agosto de 1975, foi de 36,4.
      Um abraço,
      Margareth

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