Atrás dos muros

Patio cordobés, Córdoba, España.
Patio de Córdoba, Espanha. (Foto: Wikipedia)

Calculo que as casas de Campos possuam jardins maravilhosos. Pelo menos é essa a impressão que tenho quando vejo da calçada copas de árvores frondosas e, através de uma fresta do portão, arbustos e flores. Nas minhas caminhadas, meus olhos sempre insistem em me mostrar esses pequenas visões das belezas que os jardins particulares dos campistas devem ter. Frequentemente me sinto uma infratora tentando furtar a beleza de jardins escondidos dos meus olhos por muros altos e portões.

Quando vejo da calçada um desses jardins, tenho vontade de tocar a campainha e pedir licença ao dono da casa para dar uma olhadinha rapidinha nas plantas e aproveitar para tentar saber como é que se cuida daquela bela orquídea cor-de-rosa tão comum por aqui. Poderia também perguntar porque que o que parecia impossível aconteceu: minha maria-sem-vergonha não pegou e morreu derrotada pelo sol de Campos.

Claro, fico só na vontade. Como criança que vê uma outra criança levando feliz um balão daqueles bonitos e vistosos dos parque de diversões.

Seria fantástico se os jardins desta e de todas as cidades pudessem ser vistos, expostos, visitados, admirados. Como acontece em Córdoba, na Espanha, onde na primavera os moradores abrem seus pátios para mostrar aos visitantes o resultado extraordinário de seu amor pelas flores.

Ou como fazem os donos de jardins orgânicos dos arredores de Copenhague que, também na primavera, abrem seus quintais para visitantes curiosos que saem deles encantados e inspirados pelas hortas e canteiros.

Afinal, refraseando o que se diz por aí, o que é belo deveria ser visto. Mas sei que num Brasil amedrontado pela violência urbana, essas ideias soam descabidas.  Coisa de quem pegou sol demais.

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2 comentários Adicione o seu

  1. marilza disse:

    Olá Margareth. Pois digo-lhe uma coisa: eu não abriria o portão de minha casa para mostrar-lhe meu jardim. Aqui, a conversa com estranhos é da porta pra fora e flui maravilhosamente. Temos sobejantes razões para agirmos assim, infelizmente.
    Um abraço

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    1. Olá Marilza,
      Não pretendi sugerir a ninguém que abra o portão de sua casa a estranhos. Fiz apenas uma divagação sobre a tristeza que é ver as pessoas atrás de muros, escondidas em suas casas e apavoradas com a violência urbana. Não muito tempo atrás, não era assim e os exemplos de Córdoba e Copenhague são apenas para ilustrar que não é assim em todo lugar e que não tem de ser sempre assim no Brasil. Um grande abraço e mais uma vez obrigada por sua leitura.

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