Dinamarca vai de segunda mão

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Mercado de usados do bairro de Nørrebro, em Copenhague.  (Foto de  Miss Copenhagen)

Pouco antes de deixar a Dinamarca, rumo ao Brasil, decidi experimentar fazer algo que é muito comum entre os dinamarqueses. Queria reduzir a quantidade de coisas para trazer na mudança, o que incluía os brinquedos da minha filha. Mesmo depois de dar vários brinquedos à antiga creche dela e a amigos e parentes com filhos, ainda ficamos com caixas cheias de bonecas, bichos de pelúcia, jogos e outros apetrechos em bom estado que ela não estava mais usando.

A saída foi copiar o modelo dinamarquês. Num dia ensolarado, montei na calçada em frente à nossa casa um estande improvisado, feito por um tapete sobre o qual espalhei os brinquedos e enfeitado com uma cartolina onde se lia “Vende-se” em dinamarquês. O mais difícil foi fazer minha filha vencer a timidez e “trabalhar” como vendedora de seus próprios brinquedos mas ela acabou se animando depois de ganhar algumas coroas com a venda de um castelo de princesas para um amiguinho da rua. O amiguinho já tinha um forte medieval que faria um belo conjunto com o castelo.

Não conseguimos vender todos os brinquedos, mas a experiência foi um bom exercício para mãe e filha. Ambas venceram o acanhamento e contribuíram para garantir a reutilização dos brinquedos. Os que não conseguimos vender levamos para uma estação de reciclagem de lixo mantida pelo estado. Lá, um grupo de escoteiros recebia de bom grado móveis, brinquedos e utensílios de segunda mão que, vendidos, produziam receita para manter as atividades do grupo.

Na Dinamarca, comprar e vender produtos usados sempre foi um hábito popular. Nos meses mais quentes do ano, em inúmeras feiras de produtos de segunda mão espalhadas pelo país, pode-se encontrar de quase tudo: de lâmpadas PH (criadas pelo desenhista Poul Henningsen) e móveis dos mestres do design dinamarquês a roupas e utensílios de cozinha. Além das feiras, há mercados e lojas que funcionam o ano todo e, nos últimos anos, websites onde de tudo um pouco está à venda, incluindo automóveis e roupas.

Mercado das pulgas em Copenhague
Mercado das pulgas que acontece todos os anos em Gammel Strand, no centro de Copenhague. Foto de Cees van Roeden, via VisitDenmark

A mania do usado ganhou ainda mais força nos últimos dois anos devido à crise econômica que atinge a Europa. Em 2011, os dinamarqueses colocaram 11 milhões de telefones celulares, móveis, brinquedos e muitas outras coisas usadas à venda. O número representou um aumento de 25% em relação a 2010, de acordo com estimativas de dois dos maiores websites para venda de bens usados do país, o Den Blå Avis e o Spar Nord. Por outro lado, no mesmo período, as vendas no comércio convencional despencaram.

Calcula-se que o mercado de coisas e coisinhas usadas tenha aumentado ainda mais em 2012, ano em que até mesmo dar objetos de segunda mão como presente de natal entrou na moda. De janeiro a meados de dezembro, o Det Blå Avis havia recebido sete milhões de anúncios. Nada mal para um país com pouco mais de cinco milhões de habitantes.

Link:

Markedskalenderen (Calendário de mercados), infelizmente só em dinamarquês, possui uma lista enorme de mercados de rua do país inteiro.

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2 comentários Adicione o seu

  1. railda disse:

    Muito bom!

    Curtir

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