O direito de ir e vir

time to change.
Manifestação em São Paulo (Foto de factory)

Assisti ao vídeo com a entrevista de membros do Movimento Passe Livre (MPL) no programa Roda Viva, da TV Cultura, e fiquei feliz com o que ouvi. Vi coerência no discurso da estudante de direito Nina Cappello e do professor de História Lucas Monteiro de Oliveira, escolhidos para representar o movimento e me alegrei por ver que eles têm objetivos claros. O objetivo imediato do movimento é a revogação do aumento das tarifas de transporte público em São Paulo e o objetivo final mais amplo é a tarifa zero.

Mas não existe a mesma clareza nas manifestações em algumas das outras cidades e, claro, quando um movimento cresce de forma tão espontânea, é natural que as pessoas aproveitem para tentar expressar todo e qualquer tipo de insatisfação.

No entanto, a expressão tão difusa de inconformismo pode perder eficácia, o que seria uma pena porque a conquista de transporte público barato (ou de graça) e de qualidade é uma luta que precisa ser abraçada. Ela poderia melhorar significativamente a qualidade de vida de milhões de brasileiros, incluindo os que se penduram diariamente durante horas nos ônibus e trens lotados e os outros milhões que gastam horas nos engarrafamentos das cidades do país.

Como disseram os representantes do MPL, direito ao transporte deveria também ser considerado um direito essencial porque sua garantia assegura o acesso a outros direitos como saúde e educação. Concordo inteiramente com Lucas Monteiro de Oliveira que disse que é necessário discutir o modelo de transporte que a sociedade quer: “se é um modelo de transporte que visa garantir os direitos sociais, que visa garantir o direito dos trabalhadores chegarem à cidades e terem acesso a diversas coisas nas cidades ou se é um modelo de transporte excludente”.

Sem dúvida, ao discutir o modelo de transporte no Brasil, estaríamos colocando em questão todo sistema que prioriza o que é privado e excludente e desvaloriza o que é público. Sonho com um debate transformador sobre o tema e me pego imaginando o quanto nossas cidades seriam mais democráticas se o transporte público funcionasse eficientemente.

PS.:  O relato do Rodrigo Vianna dá razões para preocupações ainda maiores: “Foda-se o Brasil”, gritava o rapaz em SP

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