Descascador de laranja

Descascador de laranja em ação: a laranja perde sua roupa laranja.
Descascador de laranja em ação: a laranja perde sua roupa laranja.

Depois de algumas semanas distante do blog, retorno ao seio do teclado gentil para escrever sobre algo singelo: o descascador de laranjas. Dia desses, no centro da cidade de Campos dos Goytacazes, dei de cara com um vendedor de frutas que tinha na sua barraquinha um daqueles antigos descascadores de laranja com o qual, pacientemente, desnudava fruta por fruta.

Depois de descascadas, as laranjas, branquinhas, eram ensacadas em grupos de seis que eram vendidos pelo preço de dois reais e cinquenta centavos. Só pela alegria de rever uma daquelas engenhocas, estava disposta a pagar bem mais. Comprei um saco de laranjas seleta, preferidas da minha filha de sete anos, que me acompanhava.

Ao ver o encantamento da minha filha com o funcionamento do descascador, me lembrei do meu próprio fascínio pela maquininha quando tinha a idade dela. A maquininha transforma a tarefa banal de descascar uma laranja em algo divertido que merece ser assistido com atenção. A laranja, presa entre duas pequenas coroas, vai perdendo rapidamente a roupa da cor que lhe dá o nome à medida que a manivela da engenhoca é girada. A vestimenta da fruta se desfaz languidamente na forma de uma tirinha comprida que, ao cair, vai se amontoando no fundo de uma lixeira colocada embaixo da maquininha.

Uma grande vantagem de se descascar laranja assim é que no topo e na base da fruta sempre sobram restos em forma circular da casca. O círculo na base da laranja serve para demarcar com precisão onde se deve cortar um cone invertido para se fazer algo parecido com um copinho. Aí é só apertar o topo da laranja (que agora virou base) para o suco aparecer no “copinho”. Aprendi essa delícia de suco natural no “copinho” com meu pai, o Juarez de Arruda Marmori, que era mestre em invencionices para convencer seus filhos a comer com prazer frutas e verduras.

Ao rever aquela maquininha, além de ter lembrado com ternura do meu falecido pai, me dei conta do quanto os vendedores de frutas estão ficando raros na paisagem urbana. Há algum tempo, eles estavam em todo lugar oferecendo abacaxi, peras, melancias, cajus, maçãs, jabuticabas, uvas, pitangas, caquis, peras etc. Agora, sem eles, se tornou ainda mais difícil encontrar uma alternativa às frituras, doces, massas brancas e carnes processadas das lanchonetes.

Fiquei mais preocupada com a falta de alternativas para encontrar frutas pela cidade ao ler artigo no EcoDesenvlvimento.org em que a nutricionista Michelle Schoffro listou os dez piores alimentos de todos os tempos. Se ela estiver certa, por uma questão de saúde pública, deveríamos promover o retorno dos vendedores de frutas às ruas.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Jairo disse:

    Olá interessante a matéria , justamente hoje tava procurando quem era o fabricante dessa máquina pois tem uma aqui em casa que meu pai usava pra vender laranja no campo de futebol e também pra descascar Figo pra fazer doce , se pudesse dar uma dica do fabricante pois na peça não há nenhuma marcação… Grato

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    1. Que legal que você gostou, Jairo! Fico feliz com sua leitura. Gostei de saber que seu pai usava uma dessas maquininhas para vender laranja no campo de futebol. É muito interessante ver como essas coisas nos trazem boas memórias.
      Pelo que sei, há diversos fabricantes dessa maquininha. Acabei de ver que no site das Lojas Americanas há quatro diferentes e no das Casas Bahia há outros tantos. Talvez, se olhar nos sites dessas lojas, você consiga encontrar o fabricante do modelo que seu pai usava.
      Abraços,
      Margareth

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