Rede social pode fazer mal à saúde

Ando meio desligada e fugindo do Facebook. Publico pouco na minha linha do tempo e tenho evitado olhar minha página de notícias. É um comportamento atípico para alguém que trabalha com mídias digitais há mais de dez anos e vinha usando rotineiramente o Facebook bem antes da rede se tornar popular no Brasil.

Ando ocupada, é verdade, mas a razão principal do distanciamento não é falta de tempo. É que o ”Face” andava me fazendo um mal danado. Lendo comentários e postagens de usuários do serviço – alguns, próximos, outros, desconhecidos – eu estava ficando doente. Escárnio demais, desinformação demais e crueldade demais fazem um mal danado à saúde. Causam engulho, suor frio, dor de cabeça, pulsação acelerada, provocam profunda irritação, podem levar à fúria e, o pior de tudo, nos levar a perder completamente a fé na humanidade.

Tenho lido muitos absurdos escritos e compartilhados por pessoas de quem eu costumava gostar e, para não deixar de gostar completamente delas, preferi me distanciar. É como estar numa roda de amigos e conhecidos e perceber que o nível da conversa está tão baixo que o melhor é se calar e sair de mansinho. Num bar, muitas vezes culpamos o teor alcoólico pelo baixo nível da discussão, mas nas redes sociais ainda estou sem saber o que culpar. Talvez exista uma embriaguez causada pela vontade desesperada de dizer algo estrondoso para chocar e chamar a atenção.

Ou talvez as redes sociais tenham mesmo o poder maligno (ou seria benigno?) de revelar nosso lado mais preconceituoso, racista, machista, elitista, invejoso e rancoroso. De despertar o que há de pior nas pessoas: o descaso com a dignidade humana e a crueldade. Deve ser esse poder que fez uma ex-colega, que conheci um dia tão sensata, ter escrito asneiras dignas de um senhor de engenho escravagista sobre os direitos trabalhistas finalmente alcançados pelas empregadas domésticas. Ou que levou uma outra conhecida a escarnecer do ex-deputado federal José Genoíno quando ele foi preso. O político estava indo para a cadeia, doente, derrotado e humilhado e ainda havia pessoas com as quais convivi e que um dia respeitei escrevendo comentários do tipo ”que apodreça na prisão”. Deve ser também esse poder que fez com que uma parenta, que sempre achei generosa, compartilhar textos difamatórios sem se dar ao trabalho de conferir a fonte da informação.

É a velha história das tecnologias que, mesmo criadas com as melhores das intenções, se tornam armas para disseminar o ódio.

Pensei em abandonar de vez o Facebook. Ansiosa por notícias, já que raramente vejo a televisão e desconfio cada vez mais da chamada ”grande mídia”, me voltei para o Twitter, onde tenho minha seleção de veículos de imprensa, blogs e outros sites que considero relevantes e de modo geral confiáveis. Depois mudei de ideia. Seria uma pena perder o contato com centenas de pessoas de quem gosto. Decidi permanecer, mas tomei o cuidado de retirar daqueles tomados pelo ódio e propagadores de mentiras e notícias infundadas o direito de publicar na minha página de notícias. Não exclui as pessoas com opiniões políticas divergentes das minhas, mas eliminei dela todos os que estavam me deixando doente com seus comentários e publicações.

Foi um grande alívio e uma boa maneira de começar um ano novo.

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7 comentários Adicione o seu

  1. Robson Lessa disse:

    Muito bom, Margareth!
    As pessoas não se dão conta desse excesso.
    É um vício…

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    1. Desculpe a demora na resposta, Robson. Muito obrigada pela leitura. Talvez seja mesmo um vício: ter uma atitude nagativa sobre tudo, reclamar 24 horas por dia, desconfiar de todos e tripudiar os que não concordam com você, mas isso não é nada construtivo. E olha que sou uma pessoa muito crítica, mas tudo tem limite. Abs

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  2. marilza disse:

    Olá Margareth, as redes sociais são veículos democráticos, acho bom que sejam assim. Pode-se ter surpreendentes descobertas de personalidades…! Pessoalmente, avalio; as pessoas são mais prudentes, menos audaciosas. Quanto às mídias, pequenas ou grandes, todas puxam a “brasa para a sua sardinha” o que óbvio e aceitável, quem sabe ler os “pingos dos iis” muito bem, quem não sabe…Sei lá, acho o momento político brasileiro muito estranho!!! A impressão que tenho é que a Dilma já ganhou…O PT parece um partido doutrinário e ditador disfarçado de democrata. Tem algo esquisito no ar. Você pode me dizer o que está fedendo no Reino da Dinamarca? rsrs.
    Um abraço

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    1. Concordo que há algo esquisito na política brasileira, Marilza, mas algo que sempre houve: a de não representar os interesses da maior parte dos brasileiros. Além disso, o que também me parece muito esquisito e perigoso é o crescimento de grupos extremamente conservadores, como os ligados aos ruralistas e à bancada evangélica no Congresso, graças, em parte, ao pragmatismo extremado do PT. Mas daí dizer que o PT é um partido ditatorial, é um exagero. Está no poder porque foi eleito para assumi-lo e só vai continuar no poder se voltar a ganhar no voto. Abraços

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  3. Sabia????

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    1. Nos vemos lá, Regina.

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  4. Acho que vou fazer o mesmo e reencontrar-me no Twitter, sabia! 😉

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