Bicicleta: amor para toda a vida

Em Copenhague, nem neve para os ciclistas. Foto de Lars Gemzø, Gehl Architects, via  http://www.cycling-embassy.dk/
Em Copenhague, nem neve para os ciclistas. Foto de Lars Gemzø, Gehl Architects.

Tem umas coisas estranhas acontecendo aqui em Copenhague, a capital da Dinamarca. Há gente deixando de usar o automóvel, esse confortável meio de transporte para, adivinha a loucura, andar de bicicleta até o trabalho ou escola. Nem mesmo o inverno que pode deixar a cidade com temperatura por volta do zero grau centígrado por semanas seguidas faz os nativos abandonarem seus camelos. Cerca de 75 por cento deles pedalam o ano inteiro, segundo um relatório publicado pela Prefeitura de Copenhague (Cykelregneskabet 2012).

Em 2012, os cerca de 550 mil moradores da cidade possuíam apenas 125 mil automóveis contra 650.000 bicicletas. Ou seja, para cada carro, existiam em média 5,2 bicicletas em Copenhague e nada indica que esses números tenham se alterado muito nos últimos anos.

O que faz com que as pessoas deixem o ar aquecido ou refrigerado e a privacidade de seu carro para enfrentar o vento do outono, o frio do inverno, as chuvas da primavera e o calor do verão para sair por aí se equilibrando sobre duas rodas? De acordo com o mesmo estudo, ao serem perguntados sobre porque pedalam, os moradores deram as seguintes respostas:

  • É mais rápido: 56 %
  • É conveniente: 37 %
  • É saudável: 26 %
  • É barato: 29 %
  • Cria bem-estar/ É uma boa maneira de começar o dia: 12 %
  • Permite trajeto mais curto para o trabalho/casa: 9 %
  • Em respeito ao meio ambiente e ao clima: 5 %

Através da minha observação descompromissada dos hábitos dinamarqueses concluí que os perguntados esqueceram de mencionar um outro motivo: eles simplesmente adoram pedalar e desenvolvem bem cedo o gosto pelo hábito de se mover sobre duas rodas. Criança aqui mal aprendeu a andar e já está tentando se equilibrar sobre elas. No começo, só com bicicletas sem pedal, algumas de madeira, com as quais as crianças usam os pés para impulsionar a bicicleta e depois, um pé sim outro não, aprendem a “mágica” que é se manter equilibradas e em movimento.

Crianças aprendem a andar de bicicleta num parque em Copenhague.  Foto de Ursula Bach, via http://www.kk.dk/
Crianças aprendem a andar de bicicleta num parque em Copenhague. Foto de Ursula Bach.

Rodinhas de apoio na roda traseira é para os fracos – da bicicleta sem pedal os ciclistas mirins normalmente vão direto para bicicletas comuns e, por volta dos três anos de idade muitos já estão indo para o jardim de infância de bicicleta.

Em maio deste ano, a organização sem fins lucrativos, a Cykling uden alder (que eu traduzo como “Ciclismo em qualquer idade”) foi lançada para que idosos com dificuldade de locomoção continuem tendo a oportunidade de sentir o prazer de um bom passeio de bicicleta. A ideia já se espalhou por 20 cidades dinamarquesas onde 500 voluntários usam 100 triciclos para passear com idosos que, dois a dois, matam a saudade de uma boa pedalada e de leva, no papo com o condutor e o companheiro de viagem, saem do isolamento social que muitos enfrentam.

A popularidade do ciclismo em Copenhague é tanta que até vale registrar um conselho que ouvi de um nativo. Segundo ele, os rapazes podem até tentarem ser populares entre garotas da mesma idade com um carro caro de luxo, mas uma bicicleta moderna e de design arrojado dá o mesmo retorno no chamado “street cred”(expressão em inglês para capacidade de ser aceito num meio urbano por seu estilo, comportamento e opiniões) com um investimento dezenas de vezes menor.

Para saber mais:
Cycling Embassy – uma ONG que promover ciclismo e mobilidade urbana na Dinamarca (inglês)

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3 comentários Adicione o seu

  1. Margareth, em que, como (etc.) aquele senhor ali via link, o da palestra e entrevista, poderia ou poderá colaborar, ser efetivamente útil com seu trabalho ou com o trabalho de alguma empresa, o.n.g. (etc.) que você conheça bem, aí nesse país das neves que eu estou vivendo de vontade de andar de bicicleta – quando verão aí ?

    http://otempodasideias.wordpress.com/2012/09/24/hugo-penteado-com-a-ecoeconomia-uma-nova-abordagem/

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  2. E sobre as ciclovias, ciclofaixas e ciclopistas, aí, Margareth?

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    1. O meu post anterior trata do assunto: https://margarethmarmori.wordpress.com/2014/09/02/inquietacoes-de-uma-cidada-de-segunda-classe/
      Abraço,
      Margareth

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