Atentados na Dinamarca

Ontem, ao tomar conhecimeto dos atentados em Copenhague que terminaram com a morte de três pessoas, meu primeiro pensamento foi: já era de se esperar. Os ataques me causaram tristeza e indignação mas não me surpreenderam porque a Dinamarca já estava na mira de extremistas desde a publicação de charges com o profeta Maomé pelo jornal Jyllands Post, em setembro de 2005.

Depois, ao conhecer a extensão do incidente, senti um estranho alívio por saber que tragédias muito maiores, tanto no local do debate como na sinagoga, poderiam ter acontecido.

Hoje, pessoas entrevistadas nos canais de televisão falaram do quanto estavam chocadas com o que havia acontecido. Aparentemente, o atentado veio mostrar aos confiantes e despreocupados dinamarqueses que a Dinamarca não está imune ao extremismo político e religioso que volta e meia faz vítimas na Europa.

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3 comentários Adicione o seu

  1. Daniela disse:

    Olá, Margareth!

    Sou jornalista em Paris e estou em busca de depoimentos de jornalistas brasileiros na Dinamarca sobre como a liberdade de expressão no país é afetada diante dos acontecimentos em Copenhague neste fim de semana. Enviei uma mensagem para você no Facebook.

    Espero que possamos conversar.

    Um abraço e obrigada!

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  2. Eu pensei exatamente a mesma coisa: “Isso já era de se esperar. A Dinamarca foi jurada de morte, desde a primeira publicação daquela charge do dinamarquês Kurt Westergaard, em 1995. Mas.. Agora?

    Sim, pois, o que ocorreu na França no mês passado, veio a despertar o velho ódio nutrido contra os europeus, desde a primeira publicação. Para piorar ainda mais a situação, a Suécia repetiu o gesto, em 1997, com o artista plástico Lars Vilks.

    AE foi o mesmo Lars Vilks que participava da conferência que estava havendo naquele bar “Kruttønden”, tendo como tema ” A Arte, Blasfêmia & Liberdade de Expressão” – vindo a aguçar o ódio de fanáticos religiosos.
    Eles tentaram coibir os aspectos naturais da cultura escandinava; e tentam, através de seus artifícios rudimentares, intimidar a todos, sem no entanto compreender que jamais o conseguirão.

    Vivo em Østerbro (bairro de Copenhague, onde o primeiro atentado se passou) e pude ver e sentir a insegurança e o medo muito perto de minha porta.
    Helicópteros voavam de maneira inquietante e o som agudo das centenas de sirenes dos carros de polícia, lembravam-me, todo o tempo, do tamanho do perigo que estávamos correndo. Não sabíamos o que vinha pela frente; nem tínhamos ideia de quantos terroristas aqui estavam e o que poderia ainda acontecer nesse fatídico domingo. Acompanhamos pela tv e rádio e as autoridades pediam para que não saíssemos de casa e trancássemos portas e janelas, até que conseguissem localizar e prender os assassinos:

    “– Ele(s) estava(m) “por aqui” – diziam…

    Foi mesmo um dia muito tenso, até mesmo para um brasileiro que está acostumado a viver em “estado de atenção” ao sair de casa, mas que ainda não vivenciou práticas de terror inerentes ao extremismo político e religioso na própria pele.
    Posso dizer, contudo, que “é muito mais intenso do que a expectativa de ser assaltado em ruas brasileiras”.

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    1. Regina, você fesse comentário há vários dias mas eu não queria deixá-lo sem resposta. Obrigada pelo seu depoimento. A sensação de medo e impotência causada por esses atentados é mesmo apavorante. Felizmente, pelo que sabemos até agora, parece que os crimes foram um ato isolado e não resultado de uma operação de um grupo terrorista organizado. Abraços

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