Botox e olhos castanhos: gafes e grosserias contra políticas dinamarquesas

Os dinamarqueses vão hoje às urnas escolher os membros do Parlamento que decidirão quem vai governar o país por mais quatro anos. A campanha foi curta, menos de quatro semanas, mas foi suficiente para mostrar que mesmo na igualitária e desenvolvida Escandinávia o debate eleitoral pode ser marcado por grosserias e preconceito.

Junho de 2015 - Cartazes de candidatos ao Parlamento Dinamarquês disputam espaço nas ruas de Copenhague.
Cartazes de candidatos ao Parlamento Dinamarquês disputam espaço nas ruas de Copenhague.

A atual primeira-ministra, Helle Thorning-Schmidt foi um dos principais alvos de comentários machistas nas redes sociais durante esta campanha. Durante um debate no canal de televisão TV2 com ela e o candidato a primeiro-ministro da oposição, Lars Løkke Rasmussen, o parlamentar e candidato Thomas Danielsen, do mesmo partido de Rasmussen, saiu com esse comentário em sua conta no Twitter: ”Sinto muito, HTS (Helle Thorning-Schmidt). As rugas na testa do povo não podem ser retiradas com botox”.

Depois das reações negativas ao seu comentário, vindas até mesmo de políticos do seu partido, Danielsen pediu desculpas pouco convincentes à primeira-ministra. Ainda assim, não se esquivou de explicar a um jornalista que tinha certeza de que HTS havia mesmo recebido aplicação de botox, embora não pudesse revelar a fonte da informação valiosíssima para o futuro do país.

Um outro candidato do Venstre, Finn Thranum, também pisou na bola ao escrever em sua página no Facebook que Helle Thorning-Schmidt não deveria ter direito a ser primeira-ministra porque o marido dela, o parlamentar britânico Stephen Kinnock, vive em Londres. ”Eles (Helle e Stephen Kinnock) deveriam viver como uma família dinamarquesa. Já o Lars (Løkke Rasmussen) vive. Ele está limpo em relação a isso. Tem uma esposa adorável que o apoia cem por cento e crianças maravilhosas. Eles têm uma vida normal na Dinamarca”.

Não demorou muito para o parlamentar pedir desculpas dizendo que havia cometido um erro ao fazer comentários sobre a vida particular da primeira-ministra. “Política deve ser sobre política e não sobre pessoas”, escreveu.

As candidatas imigrantes têm lidar com dose dupla de preconceito: além do machismo também são alvo de racismo. No Facebook, a candidata do Partido Socialista do Povo (Socialistisk Folkeparti), Özlem Cekic, de origem curda, desabafou que estava aliviada com o fim da campanha porque estava cansada de receber diariamente nas redes sociais e até por telefone mensagens de pessoas que a chamavam de “rata muçulmana”, “estrangeira fudida” e outras delicadezas do tipo.

Os ataques também acontecem pessoalmente, como Özlem vivenciou durante a Reunião do Povo (Folkemøde), um festival aberto ao público que reúne milhares de pessoas para discutir ideias e temas políticos . Em um debate, o neonazista Daniel Carlsen, do diminuto Partido dos Dinamarqueses (Danskernes Parti), disse a ela que seria necessário enviá-la de volta para casa, ou seja, a Turquia, e justificou: ”Eu não posso basear minha política nos seus doces olhos castanhos”.

O partido de Carlsen defende que todos aqueles que não tenham pelo menos o pai ou a mãe nascidos na Dinamarca sejam expulsos do país. Özlem, que nasceu na Turquia, mora desde os dez anos de idade na Dinamarca, onde cursou enfermagem e vive com o marido e os três filhos do casal. O partido de Carlsen, felizmente, não tem representação nem tem registro para se candidatar ao Parlamento. Nas últimas eleições, em 2011, 40 por cento dos assentos do Parlamento Dinamarquês foram ocupados por mulheres.

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