Terra de meninos

Era julho, tempo de férias. Estava quente e seco, muito seco. Os lábios ressecados daqueles meninos e meninas tinham rachaduras que a banha de cacau aplicada diariamente não havia fechado. O suor dos pés se misturava à terra fina e criava uma pasta entre os dedos que quase os impedia de andar com os chinelos…

Do verbo quarar

Há palavras que são como pessoas: somem da sua vida e, sem mais nem menos, voltam a fazer parte do seu dia a dia e lhe guiam pelos caminhos bifurcados da memória. Foi assim com o verbo quarar, que voltei a ouvir depois de anos de ausência do meu vocabulário e de cuja existência tinha…

30 anos da Ciência Hoje

Na celebração dos 30 anos da Revista Ciência Hoje, falei da minha sua experiência como repórter da sucursal da revista em Brasília.  

Passatempo de paciente

Olhe para o teto. Note de que material é feito. Geralmente há umas placas, aparentemente de metal, cobrindo o teto. Muitas vezes as placas de metal têm uns buraquinhos e através deles dá para ver um pouco da fiação que está por trás. Outras vezes os buracos são muito pequenos e não dá para ver…

Flores sem nome

Image via Wikipedia Levei quase 40 anos e uma mudança de país para descobrir o nome das flores brancas e cores-de-rosa que eu colhia no caminho que me levava à chácara da minha avó materna, a Dona Ozita, lá em Taguatinga, cidade-satélite de Brasília. As flores eram sempre bom motivo para uma parada estratégica no…

Pequena homenagem

Vou votar na Dilma nas eleições no domingo. Tenho muitos motivos para fazê-lo, mas um deles é também a lembrança das minhas avós, que criaram seus filhos praticamente sozinhas. Minhas avós eram mulheres fortes, trabalhadoras, honestíssimas e pobres de marré deci. Às vezes fico pensando em como a vida delas teria sido menos dura se…

Sete de setembro

Acho que a primeira vez que me senti brasileira deve ter sido pouco tempo depois de 1970 e a razão não foi a terceira conquista da Copa do Mundo pelo Brasil naquele ano. Me lembro quando meus pais levaram a minha irmã e eu da cidade satélite de Taguatinga, onde morávamos, ao Plano Piloto da…

Descoberta no quintal

Image via Wikipedia Um dias desses cometi uma pequena besteira aqui no blog. Escrevi que tinha dois pés de mirtilo (“blåbær”, em dinamarquês) no quintal aqui de casa. Depois me lembrei que quando decidimos plantar mais árvores e arbustos frutíferos no quintal, chegamos a cogitar plantar mirtilo mas desistimos porque o cultivo do mirtilo requer…

Fruta exótica

O jornal que mais leio aqui na Dinamarca, o Politiken, tem um caderno semanal chamado comida (“Mad”) onde há sempre um artigo dedicado a uma fruta exótica. Na mesma seção do jornal já aparecerem espécies estranhíssimas aos paladar e olhos dinamarqueses como a jaca e o tamarindo. A fruta desta semana era, adivinhem só queridos…

A pipa tá no ar

Comprei duas pipas pela internet e domingo, depois do almoço, fomos minha filha, meu marido e eu, testar uma delas. Foi uma delícia. Eu teria ficado o dia todo lá naquele gramado aqui perto de casa tentando dar piruetas na pipa ou fazê-a mergulhar de bico, mas lá pelas tantas minha filha se cansou e…

Dia dos pais

Amanhã seria dia de ligar para meu pai e lhe desejar feliz dia dos pais. Na minha família sempre fomos críticos do caráter comercial dessas datas, mas assim mesmo embarcamos sem pestanajar na onda de presentes e reuniões familiares nos dias das mães e dos pais. Antes de me mudar para a Dinamarca, dia dos…

Mimo

Estou chegando perto dos 45 e sentindo uma vontade menina de ser mimada. Sabe aquilo de ter alguém te levando um copo de leite na cama? Ou de perguntar o que você quer para jantar, estando preparado para rodar a cidade inteira para encontrar aquele ingrediente imprescindível para a receita daquele prato que você escolheu?…