Arrogância de letrado

O pequeno incidente com o Senhor Doutor Engenheiro Químico que relatei meses atrás frequentemente volta à minha cabeça por conta de notícias e observações que tenho reunido. Daí resolvi catalogar a história do ”sou engenheiro e consigo ler as instruções” numa série que também inclui o famoso ”sabe com que é que você está falando?” e o…

Não dá para ser menos concreto?

O caso que contei na postagem anterior me fez lembrar um artigo que li há algum tempo sobre a diferença entre as línguas latinas e as germânicas. Escrito por dois professores universitários dinamarqueses, o artigo, intitulado “Dinamarqueses pensam muito concretamente (minha tradução para “Danskere tænker meget konkret”), compara a ênfase que as línguas latinas dão…

Não dá para ser mais concreto?

Conviver com estrangeiros tem contribuído para me entender melhor como brasileira e compreender algumas das minhas dificuldades de adaptação ao modo de ser dinamarquês. Uma queixa que tenho ouvido com alguma frequência de conhecidos estrangeiros que estão vivendo no Brasil é sobre a dificuldade que eles têm de arrancar de um nativo uma resposta objetiva e clara…

O jeito macho de dirigir

Há muitos machos pelas ruas e avenidas dessa cidade brasileira, à solta usando seus carros não apenas como veículos de transporte mas também como um troféu à sua ousadia, esperteza e presumida destreza. Eles estão por toda parte: nas esquinas, cruzamentos, acostamentos e retornos. Quando menos se espera, aparecem em alta ou altíssima velocidade. Eles…

Coque desalinhado

Aquela criatura com o queixo levantado esperando o sinal de trânsito abrir era tudo o que Marilene almejara mas nunca conseguiria ser. Como outras que circulavam pelas ruas daquele país, aquela figura ao lado dela era firme e decidida. Sobre ela não pairava nem uma sombra de dúvida ou insegurança. Olhava para a frente, sem…

Reciclagem cultural

Plantações de abacaxi e cana-de-açúcar dominam a paisagem da rodovia RJ 224 no caminho entre Campos dos Goytacazes e São Francisco da Itabapoana, no extremo norte do estado do Rio de Janeiro. Mas, para quem vai na direção de Campos, no lado direito da pista,  há uma interferência inusitada na paisagem. Fixa na parede de…

Entre dois tempos

Conviver com a atitude relaxada que muitos brasileiros têm em relação ao relógio depois de viver num país onde algo marcado para, por exemplo, começar as nove horas começa, de fato, às 9 horas nem sempre é fácil. Na Dinamarca, se convidar amigos nativos para um jantar às 18:00 (eles costumam comer mais cedo do…

Um amor de cordialidade

“Mãe, a moça te chamou de querida”, observou minha filha de seis anos depois de ouvir como a vendedora de uma farmácia havia se dirigido a mim para explicar que o estabecimento não tinha o produto que eu estava procurando. No dia seguinte, outra razão de estranhamento: “Mãe, ela te chamou de amor!”, ela reagiu…

Desviando o olhar

No segundo dia útil depois de minha volta das férias no Brasil tive de enfrentar uma fila quilométrica, para o padrão dinamarquês, diga-se de passagem, no maior hospital da Dinamarca. Cheguei ao hospital para fazer um electrocardiograma achando que, como de costume, teria de enfrentar uma fila com duas ou três pessoas, seria atendida no…