Verde só para os olhos

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Detalhe do Horto Municipal de Campos dos Goytacazes
Detalhe do Horto Municipal, um dos poucos refúgios verdes de Campos.

Escrever sobre o Museu Rudolph Tegner, tema da minha postagem anterior, me levou a pensar na carência que boa parte das cidades brasileiras têm de espaços verdes públicos e, mais ainda, de espaços onde o verde não seja apenas usado como elemento de um cenário de cartão postal. Espaços onde as pessoas possam usar o verde para atividades como brincadeiras, esportes, caminhadas, festas, piqueniques, concertos e o que mais lhes der na telha, desde que dentro dos limites do bom senso.

Aqui em Campos e, principalmente, na minha cidade natal, Brasília, há belos espaços verdes que foram pensados para serem vistos, talvez da janela de um carro, mas nos quais o elemento humano é um ser estranho e infrator. O verde de balões (rotatórias), canteiros entre pistas de avenidas e algumas praças é para ser admirado de longe mas não para ser ocupado pela presença humana.

Placas como “por favor, não pise na grama” foram algo que nunca vi nos parques e áreas verdes da Dinamarca. Lá, muito pelo contrário, nos poucos meses que o clima permite, as pessoas são estimuladas a invadir os gramados com seus jogos, cestas de piquenique e churrasqueiras portáteis.

Em Brasília, quando passo pela Esplanada dos Ministérios, fico imaginando que lindo parque os brasilienses e visitantes teriam se o gramado daquele enorme canteiro central fosse desorganizado e invadido por árvores, arbustos, alguns bancos e seres humanos. Poderia, quem sabe, se tornar um belo contraste com as linhas retas do traçado urbano de Lúcio Costa. Um parque ali poderia se transformar num refúgio de horário de almoço para os funcionários públicos que passam horas fechados em escritórios e um local para saudáveis caminhadas. Talvez atraísse mais turistas que poderiam, entre uma visita à Catedral de Brasília e o Congresso Nacional, fazer um passeio pelo bosque do canteiro.

Em Campos dos Goytacazes tenho visto que recursos públicos têm sido gastos na construção e manutenção de canteiros de flores em avenidas que embelezam a cidade, mas que são apenas para serem vistos. Algumas belas áreas verdes, como o jardim que ornamenta o Teatro Trianon, está sempre vazio de gente. A falta de bancos dá a impressão de que o paisagista não tinha mesmo nenhuma intenção de permitir que o jardim fosse ocupado por um elemento perturbador: gente. Bem perto do teatro há uma rara exceção, o Parque São Benedito, que principalmente nos finais de semana fica cheio de famílias com crianças ávidas por uma área para brincar. Infelizmente, o parque clama por manutenção. Em outra parte da cidade, o Horto Municipal, apesar de possuir uma área relativamente pequena, poderia ser um refúgio verde, mas lá o quadro de abandono se repete: brinquedos estragados e instalações em mau estado.

Por isso tudo gostei de ver a proposta de criação de um parque em Campos defendida nos blogs Caído em Campos e do Roberto Moraes,  mantidos por quem vive há anos ou nasceu na cidade.

Infelizmente eu duvido que o resultado das eleições municipais de domingo, com a reeleição da prefeita atual, tenha aumentado as chances da ideia sair da cabeça dos blogueiros. Ainda assim, sei que pressão popular pode remover montanhas. A minha dúvida é saber se os habitantes de Campos estão realmente interessados e dispostos a lutar para mexer essa montanha.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Temos que insistir. Algum dia teremos um governo melhor. E aí teremos um parque.

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