Brasilienses fora do plano

Aqui da Dinamarca, semanas atrás li com inveja artigos e comentários sobre a série de televisão “Felizes para sempre?” rodada em Brasília, minha cidade natal, e que foi exibida semanas atrás pela TV Globo. Sou da primeira geração de brasilienses e me alegro por ver que produções televisivas e cinematográficas vêm mostrando ao resto do…

Química ruim

Em férias em Brasília, fui visitar o planetário da cidade, reinaugurado poucos meses antes, na companhia da minha filha, irmã e sobrinhas. Toda contente por poder fazer um programinha legal com minha filha na minha cidade natal, me acomodei com ela em dois dos últimos lugares ainda disponíveis, um pequeno sofá onde já estava sentado…

Terra de meninos

Era julho, tempo de férias. Estava quente e seco, muito seco. Os lábios ressecados daqueles meninos e meninas tinham rachaduras que a banha de cacau aplicada diariamente não havia fechado. O suor dos pés se misturava à terra fina e criava uma pasta entre os dedos que quase os impedia de andar com os chinelos…

Do verbo quarar

Há palavras que são como pessoas: somem da sua vida e, sem mais nem menos, voltam a fazer parte do seu dia a dia e lhe guiam pelos caminhos bifurcados da memória. Foi assim com o verbo quarar, que voltei a ouvir depois de anos de ausência do meu vocabulário e de cuja existência tinha…

Verde só para os olhos

Escrever sobre o Museu Rudolph Tegner, tema da minha postagem anterior, me levou a pensar na carência que boa parte das cidades brasileiras têm de espaços verdes públicos e, mais ainda, de espaços onde o verde não seja apenas usado como elemento de um cenário de cartão postal. Espaços onde as pessoas possam usar o…

Flores sem nome

Image via Wikipedia Levei quase 40 anos e uma mudança de país para descobrir o nome das flores brancas e cores-de-rosa que eu colhia no caminho que me levava à chácara da minha avó materna, a Dona Ozita, lá em Taguatinga, cidade-satélite de Brasília. As flores eram sempre bom motivo para uma parada estratégica no…

Sete de setembro

Acho que a primeira vez que me senti brasileira deve ter sido pouco tempo depois de 1970 e a razão não foi a terceira conquista da Copa do Mundo pelo Brasil naquele ano. Me lembro quando meus pais levaram a minha irmã e eu da cidade satélite de Taguatinga, onde morávamos, ao Plano Piloto da…

Descoberta no quintal

Image via Wikipedia Um dias desses cometi uma pequena besteira aqui no blog. Escrevi que tinha dois pés de mirtilo (“blåbær”, em dinamarquês) no quintal aqui de casa. Depois me lembrei que quando decidimos plantar mais árvores e arbustos frutíferos no quintal, chegamos a cogitar plantar mirtilo mas desistimos porque o cultivo do mirtilo requer…

Brasília irreconhecível

Nas minhas últimas férias em Brasília, houve momentos em que, sendo levada de carro por uma de minhas irmãs de um bairro para outro, percebi que não sabia onde estava. A cidade onde nasci, que conhecia como a palma da minha mão, está se transformando de forma tão rápida e desenfreada, que está ficando irreconhecível….

Choque úmido

Image by mickiky via Flickr Depois de passar quase quatro semanas em Brasília, o mais difícil no retorno a Copenhague não têm sido a correria no trabalho nem a diferença de fuso horário, mas sim a umidade do ar. Saír de Brasília com a umidade relativa do ar beirando os 10% e encontrei uma Copenhague…

Brasília 50 anos

A cidade onde nasci, Brasília, faz 50 anos hoje. A neve que caiu hoje em Copenhague , em pleno mês de abril, fez a saudade do céu quase sempre azul da minha cidade natal aumentar. Ontem, jornal dinamarquês Politiken publicou artigo de página inteira na capa do caderno de cultura sobre Brasília. O assunto principal…

Que vergonha!

Fiquei sabendo da prisão do governador eleito do Distrito Federal José Roberto Arruda com um dia de atraso. Só hoje à noite vi as manchetes dos jornais brasileiros sobre o assunto. Fiquei surpresa, pois não tinha muita esperança de que o fosse se desenvolver tão rapidamente, e aliviada. Quem sabe Brasília finalmente se livre dessa…